O MAPA ASTRAL DO REBAIXAMENTO DA ROSAS DE OURO.
- Mauricio Horita
- 20 de fev.
- 5 min de leitura
Atualizado: 21 de fev.

A escola que trouxe a astrologia para a avenida.
No Carnaval de 2026, a escola de samba Rosas de Ouro escolheu homenagear a astrologia com o enredo “Escrito nas Estrelas”, mas as circunstâncias não favoreceram sua vitória. A escola terminou na 13ª posição no Grupo Especial, acima apenas da Águia de Ouro, sendo rebaixada para o Grupo de Acesso 1. Diante desse resultado, e considerando a astrologia em sua dimensão preditiva, torna-se pertinente a investigação: haveria indicações astrológicas que sugerissem esse desfecho? O resultado poderia ser interpretado como algo previamente sinalizado pelo céu? Há determinismo na astrologia ou o livre-arbítrio poderia alterar esse tipo de situação? Neste artigo, serão levantados diferentes horóscopos para analisar o céu em momentos específicos do desfile, buscando compreender quais promessas astrológicas estavam atuando e de que maneira podem ter influenciado os resultados do Carnaval de 2026.
É importante, antes de qualquer análise, considerar que, em 2026, os luminares Sol e Lua encontravam-se em debilidade, respectivamente, em Aquário e Capricórnio, durante o desfile de quase todas as escolas de samba, com exceção da Tom Maior (6ª posição) e da Camisa Verde e Branco (10ª posição). Essas condições, que serão abordadas ao longo do artigo, influenciaram cada desfile de forma distinta, embora não constituam, por si sós, fator determinante para vitória ou rebaixamento. Posto isso, pode-se iniciar a análise dos mapas astrais:

O primeiro mapa a ser analisado é o do início hipotético do desfile, no dia 14 de fevereiro, às 03h20, em São Paulo, horário previamente definido quando se estabelece a ordem dos desfiles. Ainda que não corresponda ao horário real, em razão do atraso provocado pela limpeza da avenida após o vazamento de óleo de um carro alegórico, é relevante compreender quais condições estavam previstas para o horário oficial e o que se alterou posteriormente.
Nesse mapa, observa-se o Sol em debilidade na casa 2, o que pode indicar uma valorização, ou mesmo um excesso de confiança, nos próprios recursos, sejam materiais ou imateriais, financeiros ou relacionados ao próprio talento. O Sol encontra-se unido a uma Vênus dignificada em Peixes, ressaltando a preocupação com a estética do desfile, com algo que agrade os olhos do público, e a Marte em Aquário, destacado no início da casa 2, sinalizando investimentos expressivos, com pouca economia de recursos ou energia. A quadratura do Sol a Urano representa o desejo por algo inovador e distinto, embora, muitas vezes, sem a devida consideração pelas regras e estruturas, majoritariamente astrológicas, existentes.
A Lua, por sua vez, também em debilidade, posicionada na casa 1, marcava forte envolvimento do público com o desfile, ainda que acompanhado de certa insegurança ou de uma afinidade mais aparente do que consolidada. A oposição de Júpiter à Lua indicava excessos, tanto na confiança quanto na quantidade ou na forma dos conteúdos apresentados.
Para o desfile, entretanto, o Ascendente assume papel central, sobretudo em razão de seu regente. Saturno, debilitado em Áries e conjunto a Netuno na casa 3, representa tanto o atraso provocado pela limpeza da avenida após o vazamento de óleo de um carro alegórico no desfile anterior, temas associados à casa 3, quanto a perda anterior de 0,5 ponto em razão do atraso na entrega de um documento, ocorrido em dias anteriores, dificuldade igualmente vinculada a essa casa. Este se mostrou fator relevante no rebaixamento da escola. No horário considerado, Mercúrio também se encontrava debilitado em Peixes, marcante no início da casa 3 e reforçando essas dificuldades.
A partir dessa explanação, passa-se à análise das modificações ocorridas no novo horário do desfile:

Com a alteração do horário do desfile da Rosas de Ouro, observa-se que, embora o Sol permanecesse em debilidade, tanto ele quanto Marte se deslocaram da casa 2 para a casa 1, indicando, além da valorização e da disposição, maior visibilidade para a escola. A Lua, por sua vez, passou da casa 1 para a casa 12. Desse modo, ainda que a escola tenha ganhado projeção, mantendo seu excesso de autoconfiança, sua popularidade foi afetada e o envolvimento do público com o desfile já não se configurava da mesma maneira. A casa 12, ao contrário, remete a dificuldades, sacrifícios e ao que não se revela nem se destaca com facilidade, ou ao que se apresenta de forma menos harmoniosa.
Já o Ascendente, cujo regente permaneceu Saturno debilitado em Áries, tornou-se ainda mais significativo ao se deslocar para o início da casa 3, em conjunção com Netuno, ainda que Mercúrio debilitado em Peixes tenha deixado essa casa. Desse modo, nota-se que as tensões associadas à casa 3 continuavam atuantes.
A partir dessas considerações, é relevante observar que o novo horário ocorreu muito próximo ao desfile oficial da escola de samba Vai-Vai, enquanto o horário oficial inicialmente previsto para a Rosas de Ouro permaneceu vago, sem o início de qualquer desfile. Também é importante ressaltar que, no ano anterior (2025), a escola Rosas de Ouro foi campeã do Carnaval, o que gera um horóscopo igualmente relevante a ser analisado:

No mapa acima, observa-se que o regente do Ascendente do desfile foi Saturno em Peixes, posicionado na casa 2 e fora de sua debilidade. Sol e Lua igualmente se encontravam em Peixes, também fora de suas debilidades.
Pode-se, ainda, analisar o horóscopo da campeã do Carnaval de 2026, a Mocidade Alegre.

No desfile da Mocidade Alegre de 2026, Sol e Lua encontravam-se em debilidade; contudo, o regente do Ascendente, Júpiter, apesar de retrógrado na casa 8, estava dignificado em Câncer.
Por fim, passa-se à análise do mapa da última colocada do desfile de Carnaval do Grupo Especial de 2026:

No desfile da Águia de Ouro, a Lua encontrava-se debilitada na casa 3, o Sol em debilidade na casa 4, e Marte era o regente do Ascendente em Aquário. Não se observam indicações particularmente fortes que determinassem sua posição, a não ser por um Urano destacado no início da casa 7, oposto ao Ascendente e em tensão ao Sol, este mal recebido por Marte, regente do Ascendente. Uma possível dificuldade do desfile poderia estar associada à casa 5, com Saturno e Netuno posicionados nesse setor e Mercúrio em debilidade bastante efetivo logo em seu início, indicando problemas relacionados à forma como o desfile entreteve o público.
Como conclusão deste artigo, é necessário ressaltar a importância da escolha consciente do momento do desfile, especialmente quando se tem a astrologia como referência. As configurações celestes não determinam, por si sós, a vitória ou o rebaixamento de uma escola de samba diante do contexto de seu trabalho, de sua produção e de seu desfile. Contudo, é fundamental compreender quais condições estão sugeridas para determinado momento e quais desafios se mostram mais marcantes. O livre-arbítrio, o trabalho árduo e as experiências acumuladas podem reverter situações adversas e conduzir à vitória, mas é igualmente necessário enxergar com clareza o caminho a ser trilhado e, nesse ponto, a astrologia se apresenta como uma ferramenta capaz de oferecer orientação estratégica. Também é importante considerar a dimensão coletiva de um desfile de Carnaval, que envolve uma comunidade inteira e decisões que não impactam apenas um indivíduo. O livre-arbítrio de alguns repercute sobre aquilo que todos enfrentarão.

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